segunda-feira, 19 de outubro de 2009

ENCONTRO DO DIA 15/10/2008

1. OBJETIVOS:
1.1 Identificar as marcas de argumentatividade na organização dos textos;
1.2 Identificar diferentes tipos de argumento que sustentam uma argumentação textual;
1.3 Reconhecer a qualidade de uma argumentação textual.

2. DESENVOLVIMENTO
2.1 Síntese da aula anterior:
2.2 Apresentação do vídeo de Rubem Alves sobre Educar
2.3 Apresentação da estrutura do TP6 – Unidade 21: ARGUMENTAÇÃO e linguagem
2.4 Exemplificação por meio textos publicitários, coletados de jornais da semana. Análise, discussão, reflexão sobre os argumentos explícitos ou implícitos nos textos.
2.5 VÍDEO: Vídeo espermatozóide – após slide nº 9
2.6 Vídeo: O rei dos elogios de Quixaronubim: após slide 11
2.7 Sereia ou baleia? ppt. após slide nº 51
2.8 Brincadeira do TROCA-TROCA – após slide 54

3. Texto DIA DO PROFESSOR (Moacyr Scliar- ZH de 13/10/2009 -p.2) – ler, localizar argumentos, classificá-los.

4. Tarefa para casa:
Selecionar uma tarefa do AAA6 – relativa à Unidade 21 – e desenvolver com seus alunos.

CARACTERIZAÇÃO DO REESCREVER

Conforme os PCN de Língua Portuguesa do 1º e 2º ciclos (MEC, 1997: 47-48) para planejar o trabalho da reescrita, importa considerar que:
"[...] o objetivo é que os alunos tenham uma atitude crítica em relação à sua própria produção de textos, o conteúdo a ser ensinado deverá ter procedimentos de revisão [...]
[...] ensinar a revisar é completamente diferente de ensinar a passar a limpo um texto corrigido pelo professor. No entanto, mesmo assim, ensinar a revisar é algo que depende de se saber articular o necessário (em função do que se pretende) e o possível (em função do que os alunos realmente conseguem aprender num dado momento). Considerar o prévio do aluno é um princípio didático para todo o professor que pretende ensinar procedimentos de revisão quando o objetivo é muito mais que a qualidade da produção - a atitude crítica diante do próprio texto".

ENCONTRO do dia 08/10/2009

ENCONTRO DO DIA 08/10/09

1.RECADOS:
1.1 Troca do dia 03/10 pelo dia 15/10 no mesmo local, que poderá ser usado até o dia 22/10/09.
1.2 Avaliação processual das cursistas: tarefas, assiduidade, projeto, contribuições.

2. OBJETIVOS:
2.1 Identificar parâmetros de avaliação e ações necessárias para o desenvolvimento da escrita dos textos dos alunos;
2.2 Relato de atividades usadas na revisão e edição da escrita de seus alunos;
2.3 Refletir sobre o tratamento do erro na produção escrita do aluno e examinar o emprego de critérios a serem usados na escrita, leitura, avaliação e reescrita do mesmo.

3. DESENVOLVIMENTO
3.1 Apresentação do Tratamento do erro... em ppt

3.2 Leitura do texto e reflexão sobre o mesmo:
O significado da reescrita de textos na escola: a (re)construção do sujeito-autor.

3.3 Apresentação de cursistas que queiram demonstrar seu método de avaliação das produções escritas
dos alunos

3.4 Apresentação de um roteiro de critérios de avaliação de PTs

3.5 Apresentação e reflexão dos cursistas sobre a Coesão textual, no AAA5 – versão Professor, aplicado em seus alunos.

3.6 Em subgrupos de 3, realizar atividade 9 – TP6 – p. 148

3.7 Comentar a leitura do TP6: texto de Leonardo Boff – p.126 – e texto p. 129 a 130.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

SEMANA DE IMERSÃO no GESTAR II


Na última semana de setembro, aconteceu a segunda estapa de formação do GESTAR II em POA. Foram encontros onde aconteceram relatos de experiências, enriquecimento de conhecimentos e mais sugestões de atividades para passarmos aos nossos cursistas até o final do presente ano.

O cumprimento do horário nos obrigava a quase madrugar para chegarmos às 8 horas em Porto Alegre. À tardinha, era o caos do trânsito na BR 116 que nos arrastava até as 19 horas, aproximadamente, e dificultava o retorno para casa, em São Leopoldo. Tudo isso, porém, era esquecido no momento em que os encontros se desenrolavam num clima tremendamente amistoso. O fechamento das atividades com "O carteiro e o Poeta" e a brincadeira do "Amigo secreto" contribuíram para marcar essa característica de tornar ameno e prazeroso o desenvolvimento de um projeto profundo e muito sério, cujo maior beneficiado, sem dúvida, está sendo nosso aluno da escola pública. Desse modo, podemos dizer que nos orgulhamos de sermos parceiros desse desafio.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

COESÃO - em poucas palavras

Minha colega Luciane e eu anotamos alguns pontos importantes para iniciarmos nosso encontro do dia 24. Nosso texto ficou assim:

TEXTO não é um amontoado de palavras ou uma sequência de frases.
Para um texto ser bem formado, ele deve ser produto de alguns procedimentos lingüísticos e conservar alguns princípios, dentre eles, a COERÊNCIA e a COESÃO.
Ingedore Koch separa a COERÊNCIA da COESÃO, mas afirma que uma está estreitamente ligada à outra. São dois lados de uma mesma moeda - o texto.
A COESÃO, conforme um texto do TP5, pode ser comparada à linha com que se costura um vestido; ao cimento com que se faz dos tijolos um muro ou uma parede, ou uma casa.
A COESÃO = fenômeno interno que acontece entre os enunciados de um texto, o qual se diz que é coeso, quando seus vários enunciados estão organicamente articulados entre si.
A conexão desses vários enunciados é resultado da articulação das relações de sentido existentes entre eles. Essas relações de sentido são manifestadas por determinadas categorias de palavras, chamadas de CONECTIVOS ou ELEMENTOS DE COESÃO:
preposições, conjunções, pronomes, advérbios, numerais, sinônimos.
O uso adequado desses elementos garante a unidade do texto e a clareza das idéias nele expressas. (O contrário = sentido obscuro, incompreensão)
Tais NEXOS ligam partes do discurso e estabelecem relação semântica entre as partes do discurso (causa, conseqüência, finalidade, exclusão...) Alguns servem para expressar GRADAÇÃO dentre os componentes de uma escala:
Mesmo, até mesmo → Topo da escala.
Ao menos, pelo menos → plano mais baixo.
Atenção ao fazer a COESÃO nos períodos compostos, especialmente em períodos longos.
Devemos ter cuidado ao escrever: para quê? Como? Expressei claramente o que eu queria dizer?
A COERÊNCIA combina o texto no seu exterior, com a situação sócio-comunicativa, com suas finalidades; a COESÃO combina os textos no seu interior, ligando as partes para formar um todo. De qualquer forma, são parceiras. Mas é possível haver COERÊNCIA sem COESÃO, e vice-versa?
É através da COERÊNCIA que um texto faz sentido para os seus leitores ou ouvintes. Não precisa coincidir com a versão estabelecida no mundo real, mas deve ter uma continuidade de sentidos(como acontece com as histórias de ficção)- não se precisa acreditar naquilo, se é verossímil ou não.
COESÃO: nível micro textual; modo como o universo textual está ligado entre si, dentro de uma sequência;pode haver sequenciamento coesivo de fatores isolados, sem que haja texto.

COERÊNCIA: nível macrotextual; modo como o universo textual (conceitos, relações subjacentes da superfície do texto) se unem numa configuração acessível, relevante. Resulta do processo cognitivo operante entre interlocutores e não é só no texto.

COESÃO por antecipação de termos:
Ex.: José e Renato, apesar de serem gêmeos, são muito diferentes. Por exemplo, este é calmo, aquele é explosivo.
ANAFÓRICOS: ESTE e AQUELE - palavras que servem para retomar um termo já expresso anteriormente.

ANÁFORA: evita ambigüidade e a ruptura da coesão.
Ex.: O PT entrou em desacordo com o PMDB por causa de sua proposta de aumento de salário.

CATÁFORA: Remissão para frente:
Ex.: Ele resolveu devolver tudo: as cartas, as fotos, os presentes.

Uso de palavras /expressões que auxiliam na orientação (espacial/temporal):
acima, em baixo, abaixo, antes, depois, etc.
Existem algumas maneiras produtivas de estabelecermos COESÃO em um texto:
CONTEXTUALIZAÇÃO – uso de palavras do mesmo campo semântico.

ENCONTRO DO DIA 24/09/2009

1. Discussão e aprovação de uma nova versão do nosso Calendário Gestar II – 2ª estapa2.

2. OBJETIVOS:
2.1 Reconhecer as marcas lingüísticas responsáveis pela continuidade de sentido num texto;
2.2 Analisar mecanismos de coesão referencial;
2.3 Analisar mecanismos de coesão seqüencial;
2.4 Caracterizar a coesão como fundamental para evitar repetição desnecessária, ambigüidade e falta de clareza nos enunciados;

3. DESENVOLVIMENTO
3.1 Conclusão do estudo da Estilística e do ESTILO;
3.2 Reflexão sobre:
Ficou clara a noção de ESTILO no nível da linguagem?
Ficou claro o objetivo da ESTILÍSTICA?
Qual a importância dos recursos expressivos ligados à palavra e ao som?
Qual a relação entre os tipos de discurso (direto, indireto,indireto livre) e alguns recursos expressivos da frase e da enunciação?
3.3 Apresentação do tema COESÃO (slides sobre o TP5)
3.4 Atividade prática: TP5 , p.143.
3.5 Apresentação e comentário dos slides "Ri melhor ..."
3.6 Tarefa de casa: escolher uma atividade sobre Coesão textual, no AAA5 – versão Professor, e aplicar em seus alunos.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

NARRADORES de JAVÉ - reflexão de uma cursista

Gestar II – Português
Cristina Domingues Lemos

Análise do filme Narradores de Javé [1]

A palavra tecida a partir de uma multidão de fios ideológicos,
serve de trama a todas as relações sociais em todos os domínios.
(Mikhail Bakhtin)
O enredo de Narradores de Javé não é linear, isto é, não segue uma seqüência cronológica, desenvolve-se descontinuamente, com retrospectivas, cortes e com rupturas do tempo em que se desenvolvem as ações. O tempo cronológico mistura-se ao psicológico, da duração das vivências das personagens. O espaço exterior se mistura aos espaços interiores (memória e imaginação das personagens).
Por conta disto, as mudanças de cenário acompanham as situações vividas pelas personagens, nos diferentes espaços e tempos.
No início, um contador de causos encontra sua platéia, às margens de uma represa, num ponto de travessia. Este cenário é visitado regularmente durante o filme, pois os interlocutores, de tempos em tempos, trocam impressões e debatem os fatos narrados. Já o cenário do causo própriamente dito, é uma comunidade muito pequena, perdida no sertão nordestino, chamada Vale de Javé. Neste cenário agreste, a odisséia do povo guerreiro de Javé começa a ser contada, e recomeça quando menos se espera. O causo, a narrativa vinculada a oralidade e a tradição, dá vida a esta história que tem a intenção de rememorar o passado.
Já na abertura do filme, as letras e os sinais de pontuação recebem destaque. Dançam, se encontram, interagindo também com outros objetos (tesoura, sinuca...). Até ideogramas aparecem para compor a idéia de mosaico de que seria apresentada no filme. Esta questão do letramento é abordada de diferentes formas durante a narrativa: na fala das personagens - “Eu que não sou das letras(...)”, nas divisas cantadas, na ideia de fazer um “trabalho científico”, até na ironia da placa pregada na soleira da porta do escrivão Antônio Biá – “Proibida a entrada de analfabetos”.
Excluído da sua comunidade, por ter se aproveitado de seu cargo e posição social para receber vantagens. Neste caso, escreveu cartas que, além de difamar a todos da comunidade, eram exageradamente mentirosas. A ira da comunidade, basicamente formada por analfabetos, levou Antônio Biá a viver bêbado e isolado de todos. O caráter desonesto de Biá reaparece quando o barbeiro oferece propina para aparecer como um dos destaques na história de Javé, e Biá aceita, sem pestanejar. Em alguns aspectos, Biá lembra um pouco Macunaíma – o herói brasileiro por excelência, o herói sem nenhum caráter.
Características de personagens da literatura de cordel também compõem a personalidade de Antônio Biá. Assim como João Grilo, por exemplo, Biá apresenta uma fina ironia, acidez nas críticas e uma falsa erudição, denunciada no uso de expressões como lembranças javélicas ou gróticas, históricas ou pré-históricas.
Apesar de tudo, Antônio Biá é visto como o único que poderá ajudar o povo de Javé, registrando em livro a história gloriosa de Javé. O livro é chamado, inclusive, de o Livro da Salvação. Ele deve transcrever a Odisséia de Indalécio e Maria Dina, além de recuperar detalhes, marcas e provas, para tornar científico o seu registro.
A tradição oral em Narradores de Javé é apresentada não só nas histórias dos mitos de criação da comunidade, mas também nas variações deste mito. Ao aparecer ora como homem, ora como mulher, sertanejo ou ex-escravo, Indalécio reencarna a questão do mito que se transforma através da oralidade do povo que o perpetua em seu imaginário.
Os ditados populares, marcas da cultura oral, também aparecem no filme: “Quem muito fala, dá bom dia a cavalo.” Aliás, as citações de Antônio Biá talvez sejam a única ligação da comunidade de Javé com a cultura letrada ou contemporânea: Clonado em miolo de pão, Einstein ou Santo Agostinho, saionara, formiga ninja, habeas corpus com corpus cristi, entre outras.
Biá é homem que “só sabe escrever a lápis”. Entretanto, escritor criativo, é capaz de “melhorar” algum trecho da narrativa e de criar imagens como o “mar de bois” ou soluções para o roteiro como “sapatos” para o boi roubado. Para a comunidade, entretanto, o que entendiam de histórias escritas se restringia a ver que a mão deveria se mexer sobre o papel, para que algo estivesse realmente sendo escrito.
Assim com Biá levou ao povo de Javé a possibilidade de ter contato com o conhecimento através da leitura e das trocas realizadas entre letrados e não-letrados, o professor, em sala de aula, também será o condutor dos alunos tanto à literatura quanto a cultura contemporânea. Será ele, inicialmente, um escrivão, mas deverá promover seus alunos também a pequenos escritores, sujeitos em seu lugar histórico, capazes de transformá-lo através de seu discurso e intervenções no contexto social.
[1]Ficha Técnica - Título Original: Narradores de Javé. Lançamento (Brasil): 2003. Direção: Eliane Caffé.